Usinagem aeroespacial

A usinagem de componentes destinados ao segmento aeroespacial cresce no país. Com a presença cada vez mais forte da Embraer no mercado mundial e o desenvolvimento mesmo que tímido de veículos lançadores e pequenos satélites por parte do governo, o Brasil se consolida em um mercado que deve movimentar em 2008, de acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia, mais de US$ 35 bilhões.
E o setor aeroespacial ainda convive com uma grande tendência, a de trabalhar com materiais cada vez mais leves e mais resistentes a tensões, tais como ligas especiais de
titânio, fibras de carbono e vidro, waspaloy, inconel, entre outros produtos compostos.
“Entretanto, além de leves, estes materiais são também cada vez mais resistentes, o que impacta diretamente nos processos de usinagem”, afirma Lúcia Ribeiro, especialista
na área de desenvolvimento de negócios no setor aeroespacial da Sandvik Coromant.

Desafios à usinagem

Quando o assunto é usinagem aeroespacial, diversas particularidades devem ser levadas em conta.
A usinagem de fibras de carbono e vidro, por exemplo, se distingue pela emissão de pó no lugar de cavacos. Isso faz com que seja necessária refrigeração a ar, além de um sistema de exaustão eficiente. Nestes casos, também é imprescindível atentar para os ângulos da ferramenta, caso contrário o material pode sofrer lascamento gerando, conseqüentemente, um retrabalho. As fibras de carbono e vidro também são extremamente
finas, com espessuras que vão de 3mm a 5mm.
No caso da indústria nacional, o material mais usado é Ti6Al4V. Porém, existe uma tendência de substituição pela nova liga Ti-5553 que oferece uma resistência superior
e alta resistência a fraturas. Sua usinabilidade, todavia, é mais difícil e, para driblar esse problema, foi desenvolvida a nova fresa Coromill 690, específica para fresamento de
perfis em peças de titânio. Entre as suas principais características está o novo assento piramidal, que proporciona uma maior resistência às forças de corte axiais. Além disso, é
possível observar um melhor escoamento de cavacos no faceamento e fresamento de cantos a 90º.
Já os materiais como waspaloy e inconel demandam uma adequação dos parâmetros de corte para evitar o desgaste prematuro das ferramentas e, como são ligas resistentes ao calor, também é necessário ter atenção ao processo de refrigeração.

Novos métodos

O desgaste das ferramentas, principalmente o do tipo entalhe, é conseqüentemente maior na
usinagem aeroespacial devido à resistência destes materiais. Por este motivo, são utilizadas ferramentas com pastilhas redondas, tais como a R200 e R300, que possibilitam uma maior remoção de material, com melhor aproveitamento de arestas e melhor dissipação do calor.

Na área de acabamento são utilizadas ferramentas inteiriças de metal duro, como a 216.42, com diâmetros entre 10mm e 16mm e raios de 3mm a 5mm.
“A grande maioria das peças que compõem os aviões é de alta complexidade, possuindo, por exemplo, muitos bolsões internos, de difícil acesso e que exigem precisão tanto no que se refere a usinagem quanto na hora de realizar o acabamento”, afirma Jefferson Gomes, coordenador do Centro de Competência em Manufatura do ITA.
E para acompanhar o desenvolvimento cada vez mais rápido de novos materiais é necessário trabalhar com novos métodos e equipamentos cada vez mais robustos.

Brasil voando cada vez mais alto

O Brasil é o segundo maior mercado no mundo em aviação executiva. Hoje, esse segmento
responde por 1,5% do PIB nacional. Poucas pessoas sabem, mas o país recebe anualmente uma das maiores feiras de aviação executiva do Hemisfério Sul, a Labace (Latin
American Business Aviation Conference& Exhibition), que este ano movimentou mais de US$ 340 milhões.
Os negócios fechados por este segmento aquecem a indústria por muitos anos, visto que esse segmento trabalha com prazos longos. Por isso pode se dizer que toca a produção da indústria desse segmento já está vendida para os próximos dois ou três anos.